A Heineken está em franco crescimento no Brasil

O Bradesco divulgou na terça-feira, 26, um relatório que mostra que a detentora de marcas como Skol, Brahma e Stella Artois ganhou uma concorrente de peso no Brasil: a Heineken.

Segundo o analista Leandro Fontanesi, do BBI, após conversar com distribuidores, varejistas e concorrentes, um ambiente de maior concorrência deve fazer com que a Ambev tenha dificuldades de manter sua elevada participação de mercado e suas margens operacionais nos próximos anos.

A holandesa Heineken começou uma nova fase de expansão no Brasil em fevereiro de 2017, quando comprou a Brasil Kirin, subsidiária brasileira da cervejaria japonesa Kirin que havia comprado, em 2011, o controle da cervejaria Schin. A compra deu à Heineken uma capilaridade que lhe faltava e permitiu aos holandeses chegarem à segunda posição no mercado nacional.

A Brasil Kirin tinha 12 fábricas no país e era dona de 9% do mercado nacional, com forte presença nas regiões Norte e Nordeste, justamente os pontos fracos da Heineken. A Reuters afirmou à época que a nova empresa nascia com quase 19% de participação e um portfólio de marcas que ia de cervejas premium, como a Eisenbahn, às mais populares, como a Bavária e a Glacial.

A competição com a Ambev se acirrou nos pontos de venda, replicando no Brasil uma disputa global. A AB InBev, dona da Ambev, é a maior cervejaria do planeta, com quase 30% do mercado e uma sede crescente por aquisições – em 2016 comprou a britânica SAB Miller por 79 bilhões de libras. A Heineken segue em segundo lugar, com cerca de 9% do mercado. Mas vem aproveitando brechas deixadas pela gigante.

O Bradesco BBI diz que a briga deve esquentar, a julgar pela experiência da Heineken em outros mercados. No México, a Heineken comprou a operação de cervejas da FEMSA, dona de três marcas populares no país: Dos Equis, Tecate e Sol. Desde a compra conseguiu conquistar cinco pontos percentuais sobre AB InBev. “Embora a Heineken seja conhecida por suas cervejas premium, essa experiência no México mostra que a empresa também pode operar marcas populares”, afirma o relatório do Bradesco.

Outra nova vantagem competitiva para a Heineken, segundo o Bradesco BBI, é sua rede de distribuição. Em 2017 a companhia encerrou cinco anos antes do prazo um acordo logístico com a Coca-Cola no Brasil. É uma estratégia similar à seguida na África do Sul, quando a Heineken encerrou em 2015 um acordo com a fabricante de bebidas Diageo, que lhe permitiu crescer de forma acelarada no país. O relatório estima que o número de pontos de venda da Heineken pode passar de 600.000 para 1 milhão no Brasil até 2021.Com mais escala, a Heineken também tem conseguido mais poder de fogo em supermercados, segmento que deve ganhar importância – passando de 38% das vendas em 2018 para 41% em 2023, segundo o Bradesco. A Heineken ganha força especialmente no atacarejo, onde suas marcas populares (como a Nova Schin) lhe dão vantagem competitiva sobre as cervejas populares da Ambev, que costumam custar mais que as da concorrente nos pontos de venda.

Ameaças em várias frentes

A concorrência da Heineken é a mais nova fonte de ameaças para a Ambev. A companhia vem tendo que enfrentar, nos últimos anos, desafios que vão do avanço das cervejarias artesanais à crise econômica, que reduziu o consumo per capita de cervejas no país, passando por menos incentivos do governo.

A vida está difícil para a Ambev, e vai ficar ainda mais. O relatório do Bradesco BBI se soma a outras estimativas que preveem um ano complicado, com uma crescente guerra de preços. Desde o dia 24 de março as ações da companhia caíram 25%, levando o valor de mercado para 282 bilhões de reais. É uma queda de quase 100 bilhões de reais.

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Redação
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